Rosangela Demetrio


Um país em conflito

Para os jovens que vêem os atuais conflitos no Egito, é difícil imaginar que um dos ex-presidentes do país ganhou o Prêmio Nobel da Paz em sua gestão

Foi em 1978 que Anwar Al Sadat, então presidente do Egito, ganhou o Prêmio Nobel da Paz, juntamente com o primeiro-ministro israelense Menachem Begin. O Prêmio foi o resultado e o reconhecimento pelo Acordo de Camp David, pelo qual os dois governantes assinavam diversas resoluções para alcançar a paz entre árabes e judeus.

Aquela década foi marcada por diversas tentativas de paz. O então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter esforçou-se bastante para mediar esse tipo de acordo. A paz interessaria para ambas as partes e também para a América, que poderia continuar exportando seus produtos industrializados para o Oriente Médio. Mas, as vantagens que comumente os americanos ofereciam aos israelenses em seus acordos bilaterais irritavam os árabes, que não aceitavam tais privilégios.

O Acordo de Camp David não foi aceito por unanimidade no Mundo Árabe, especialmente pelos fundamentalistas muçulmanos, que acreditavam que apenas a ameaça ou o uso da força faria Israel negociar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. O acordo previa a entrega da Faixa de Gaza para o Estado Judeu. Em contrapartida, Israel retirou-se da Península do Sinai, retornando a área inteira para o Egito em 1983. Mas, antes disso, em 1981, Sadat foi assassinado durante uma parada militar no Cairo, tudo indica que por membros da Jihad Islâmica Egípcia infiltrados no exército. O motivo do atentado não é difícil de imaginar: acordos de paz não interessam a quem lucra com a guerra. Alguns suspeitaram de envolvimento da CIA, mas tudo era especulação na época. Aquele atentado comoveu o mundo todo. Lembro-me de que foi a primeira cena chocante que assisti na TV. Mas, que em nada se compara ao que vemos hoje no Egito.

Sadat foi sucedido pelo seu vice-presidente Hosni Mubarak, que foi levado a renunciar só recentemente, em Janeiro de 2011, 30 anos depois de assumir.

Atualmente, o quadro que se vê no Egito é preocupante. As autoridades do país afirmaram que vão julgar pelo menos 40 pessoas, incluindo cidadãos americanos e outros estrangeiros, que trabalham em ONGs que promovem democracia, direitos humanos e paz, acusadas de financiamento ilegal. A questão gera tensão entre os governos egípcio e americano. As autoridades egípcias estão sendo apontadas como incapazes de evitar confrontos, devido ao precedente ocorrido em um jogo de futebol, no fim de janeiro, que deixou 74 mortos.

Não há muito que fazer, a não ser aguardar os próximos acontecimentos e torcer pela sensatez. Com os ânimos acirrados, qualquer faísca pode incendiar a região. Melhor não provocar…

Artigo publicado no Jornal Empresas & Negócios em 8/fev/2012.

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