Rosangela Demetrio


Tendência: leitores eletrônicos fazem disparar o preço das terras raras

A velha lei da oferta e da procura ainda move montanhas, desta vez, de terras raras…

Até há pouco tempo, o Brasil não se preocupava em entrar ou disputar o mercado dos recursos minerais das terras raras, mesmo porque a China já detém esse domínio econômico com 95% das reservas. Porém, o panorama mudou e muito rapidamente, abrindo o mercado. Embora praticamente não explorada, o Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do planeta. Estimativas da Agência de Serviços Geológicos Norte-Americanos (USGS) apontam que as reservas brasileiras podem chegar a 3,5 bilhões de toneladas de terras raras, localizadas basicamente na região amazônica e no estado de Minas Gerais.

Mas, que terras são essas? Segundo o dicionário eletrônico Wikipédia, “terras raras ou metais de terras raras são um grupo relativamente abundante de 17 elementos químicos com número atômico especial, dúcteis e maleáveis”. Qual a sua utilidade, e por que valem tanto no mercado mundial? A resposta é simples e objetiva: suas propriedades químicas e físicas são utilizadas em aplicações tecnológicas, em superímãs (usados nos geradores de energia eólica), telas de tablets, computadores, celulares, televisores, na produção de luminescentes de forma geral, no processo de produção da gasolina e em painéis solares. Ou seja, são utilizadas em quase tudo que é moderno e tecnológico.

Só para se ter uma ideia mais clara do uso desses minérios, podemos citar alguns que estão ao nosso redor. O neodímio está presente nos superímãs, cada vez mais usados em motores que precisam ter dimensões pequenas, como os que regulam bancos e espelhos em automóveis mais luxuosos. O lantânio é usado para fabricar gasolina. O óxido de cério, por exemplo, é usado para polir lentes de óculos. Produtos que utilizam tela ou visor de LED ou mesmo luz de LED, tão utilizada na decoração natalina ou mesmo para iluminar displays, usam óxidos de terras raras, assim como a maioria das luzes brancas.

Diante das mudanças neste mercado e do potencial das reservas nacionais, a exploração do minério pode ser economicamente viável ao Brasil, pois o preço da commodity praticamente triplicou nos últimos anos. Enquanto a China só utilizava suas reservas para produtos voltados à exportação, sua produção era controlada. Porém, hoje, existe a demanda interna e não há tanta sobra, o que diminui a oferta chinesa no mercado internacional. O poder de quem domina esse mercado ficou evidenciado quando a China embargou exportações de terras raras ao Japão, por causa da prisão de um comandante chinês. Os japoneses se viram em maus lençóis, devido ao fato de sua indústria utilizar telas e visores em grandes quantidades, necessitando demais das terras raras.

No Brasil já existe alguma movimentação nesse sentido, com alguns incentivos governamentais para a produção desses minérios. Alguns acordos internacionais estão sendo propostos e previstos com projetos-piloto e a identificação de áreas nacionais onde haja ocorrência de terras raras, também já demonstra que existe sim interesse do governo em desenvolver pesquisa.

Artigo publicado no jornal Empresas & Negócios, em 07/dezembro/2011.

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