Rosangela Demetrio


Cresce o mercado de produtos voltados ao público obeso

Cada vez mais explorado pela indústria, o grupo de consumidores que estão acima do peso mostra-se ser um bom nicho para investimentos

Dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que, assim como o rápido crescimento do PIB (Produto Interno Bruno), o sobrepeso e a obesidade dispararam em países emergentes como China, Índia, África do Sul, Brasil e México. Até algumas décadas atrás, não era comum encontrar roupas nos tamanhos GG ou XG, só em casas especializadas ou lojas de roupas muito caras. Não havia necessidade de números grandes, pois a população brasileira era magra. Hoje, porém, é praticamente obrigatório à indústria de confecção contar com consumidores desses tamanhos. É estranho falar assim, mas a obesidade já se tornou um segmento de mercado, e a indústria já percebeu isso. Existe toda uma evolução nesse sentido, primeiro pelo fato da sociedade olhar para essa faixa da população e considerar suas necessidades. Em cinemas e teatros já existem os assentos especiais, em ônibus também são reservados alguns lugares. Mas, o que aconteceu com a população? Por que esse aumento de peso? Reflexo dos tempos modernos?

As pessoas estão ficando cada vez mais pesadas no mundo em desenvolvimento, à medida que têm melhores condições financeiras. A frequência do uso dos automóveis faz com que as pessoas andem menos. Além disso, a correria do dia-a-dia contribui para o consumo de refeições rápidas e carregadas de gordura. Outro fator relevante é a tendência do encasulamento, que se manifesta pela preferência das pessoas em permanecer cada vez mais dentro de suas casas.  Bastante percebida nos grandes centros urbanos, essa tendência traz como resultado o elevado consumo de guloseimas, doces e salgados, como parte integrante de uma tarde em casa, assistindo TV ou jogando vídeo games. Enquanto a ingestão calórica aumenta, o nível de exercícios diminui. A consequência natural é aumentar o peso.

As exigências dos mais pesados não incluem apenas roupas e assentos em cinema; são muito mais abrangentes. Enquanto a indústria farmacêutica desenvolve inibidores de apetite, outros setores estão aproveitando para criar produtos maiores e mais resistentes para atender às novas necessidades da população. É o caso da indústria hospitalar nos Estados Unidos, que já fornece mesas de operação maiores, macas e até ambulâncias especiais para o transporte de pessoas muito acima do peso. Um dos primeiros produtos comercializados naquele país foi o vaso sanitário Big John, cuja circunferência é 48cm maior que a padrão, aumentando em 75% a área do assento. A peça pode aguentar até 363 quilos. Outra empresa norteamericana que há muito já se preocupa com os mais pesados e mais altos é a Goliath Casket, que produz caixões de grande porte, com medidas de até 52 polegadas de largura.

Do berço ao túmulo, as empresas estão aproveitando as oportunidades desse mercado. O mais importante é aliviar o constrangimento tanto dos obesos, quanto de suas famílias, oferecendo conforto e qualidade de vida em qualquer ocasião.

Artigo publicado no jornal Empresas & Negócios, em 11 de janeiro de 2012.

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