Rosangela Demetrio


Até 2050, precisaremos do dobro de alimentos

Foi previsto pela Organização das Nações Unidas (ONU), que o consumo de alimentos em 2050 será o dobro dos índices de hoje

Segundo dados da ONU, daqui a quatro décadas, a população mundial precisará de pelo menos o dobro da comida produzida hoje para se manter alimentada. É um dado interessante, pois de acordo com algumas estatísticas, a área destinada ao plantio de alimentos está cada vez menor, predominando os maiores terrenos na América do Sul e na África.

Com a projeção de que o mundo terá de aumentar a produção de alimentos em 50% até 2030 e dobrar até 2050 se não quiser sofrer com a escassez nas próximas décadas, cria-se um alerta que chama a atenção da mídia internacional, principalmente devido ao aumento nos preços de alimentos. Uma alta de 20% até 2025 colocaria aproximadamente 440 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza. O alerta é do relator especial da ONU para o direito à alimentação, Olivier de Schutter. Ele apelará aos países para que uma nova estratégia mundial seja criada para evitar uma crise.

Ele aponta ainda para a necessidade de se criar condições para o aumento da renda daqueles que produzem os alimentos. Além disso, também vamos nos deparar com a questão nutricional, pois comer não é a mesma coisa que se alimentar. Segundo dados da ONU, hoje, dois bilhões de pessoas vivem com deficiências de micronutrientes e uma nova estrutura de distribuição e acesso aos alimentos precisará ser criada.

A ONU admite que o setor agrícola precisa de investimentos privados e um sistema precisa garantir a inclusão dos pequenos agricultores no comércio. A especulação no setor de commodities, segundo a ONU, seria um dos pontos que precisariam ser atacados com urgência. É hora de descentralizar o poder. Monopólios como o que acontece hoje com a soja, deverão ser modificados. Entre as soluções, a entidade sugere a criação de uma reserva internacional para ajudar países afetados pela especulação nos alimentos. Outra opção seria a criação de um seguro que compense pela alta nos preços de alimentos.

Em 2050, seremos 9 bilhões de pessoas habitando este planeta e tudo será muito diferente do que é hoje. Talvez não exista mais água potável, nem petróleo para movimentar nossos motores, o que torna uma previsão muito mais difícil. De qualquer forma, saber que isso tudo vai acontecer já nos traz uma missão, que deveria ser de todos: preservar o planeta, os recursos naturais e principalmente a água, sempre que tivermos oportunidades de preservar. Outra coisa que devemos levar muito a sério é a redução da produção de lixo inorgânico. Os resíduos sólidos serão um dos vilões do milênio. É hora de uma conscientização coletiva. Não dá para deixar isso para amanhã.

Artigo publicado no jornal Empresas & Negócios, em 23 de novembro de 2011.

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