Rosangela Demetrio


Água que desequilibra ecossistemas
13/08/2011, 19:54
Filed under: Artigos, Publicados no Jornal Empresas & Negócios | Tags:

Poucos se dão conta do desequilíbrio causado pelas operações de carga e descarga de água de lastro dos navios. Porém, esta instabilidade vem chamando a atenção de organismos internacionais

A grande maioria das embarcações de grande porte, como petroleiros, graneleiros, navios mercantes e de cruzeiros, faz uso da água de lastro como forma de distribuir o peso ao longo do navio, mantendo a estabilidade da embarcação e suas hélices sob a água. Nesse processo de carregamento realizado nos portos e terminais, a água leva com ela, para dentro do navio, micro-organismos pertencentes ao ecossistema aquático local. Esses organismos podem ser moluscos, mexilhões, crustáceos e até peixes, os quais, quando descarregados com a água no porto de destino, estarão fora de seu habitat natural, podendo ocasionar o desequilíbrio daquele ecossistema. A interferência de organismos “estrangeiros” num ecossistema pode desencadear o desaparecimento de algumas espécies ou a superpopulação de outras, se, por exemplo, uma delas perder seu predador natural. Mas, tudo isso não é novidade. Nas décadas de 1970 e 1980, houve grande disseminação do vibrião colérico pelos ambientes costeiros de todo o mundo, causando um grande problema na época, com consequências até os dias de hoje.

Os efeitos dessa invasão biológica podem ser devastadores. Preocupada com essa causa, a IMO – International Maritime Organization, agência especializada das Nações Unidas, propôs a implementação do Global Ballast Water Management Programme (Programa de Gestão da Água de Lastro Global). Um dos objetivos do programa é dar apoio técnico aos países exportadores para uma melhor compreensão das dimensões do problema, que vem se agravando nas últimas décadas com a expansão do comércio e do volume de tráfego marítimo.

Para reforçar a conscientização global para com o problema, a IMO investe intensivamente em congressos e reuniões, com o objetivo de regulamentar o uso de tudo que se refere à água, fauna e flora marítimas. Nesses encontros, são propostos debates sobre a melhor forma de gestão e apresentadas ferramentas para o monitoramento e o controle da água de lastro. No mercado brasileiro, estão disponíveis equipamentos que, se instalados nos navios, executam sistemas de filtragem e desinfecção das águas, diminuindo consideravelmente o impacto ecológico. No entanto, precisamos de uma regulamentação globalizada, com todos os armadores seguindo as mesmas regras de controle ambiental.

Artigo publicado no Jornal Empresas & Negócios, em 29/06/2011.

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