Rosangela Demetrio


A abertura da fronteira traz esperanças à Gaza

Depois de quatro anos sob bloqueio econômico e social, com uma taxa de desemprego superior a 35% e vivendo praticamente isolada e estagnada, a população da Faixa de Gaza procura um novo recomeço

Sem dúvida, em minha opinião, a melhor notícia dos últimos dias foi a de que os novos governantes do Egito, depois da queda do presidente Hosni Mubarak, decidiram pela abertura da passagem para a Faixa de Gaza.

O bloqueio, imposto desde 2007, quando o Hamas tomou o controle do território, tinha como objetivo principal enfraquecer o poder daquele grupo na região, causando, consequentemente, inúmeros problemas para a população local. Durante esse período sombrio e de muitos conflitos armados, países vizinhos procuraram abalar o movimento palestino e a liberdade daquele povo, prejudicando sua economia e controlando seu território.

O fechamento, que também incluiu fortes restrições à entrada de mercadorias, alimentos e até de água potável, e um bloqueio naval, tinham a intenção de debilitar ações terroristas na região. Porém, desde a queda de Mubarak, em fevereiro, o novo governo do Egito prometeu aliviar o bloqueio e melhorar as relações do país com os palestinos.

Enfim, aparentemente, aquelas pessoas terão de volta seu direito de ir e vir, viajar, ver parentes, cruzar a fronteira e, para alguns, até de retornar para casa. A reabertura da passagem de Rafa alivia o bloqueio.

Ao receber a notícia da reabertura da fronteira com o Egito, a população da Faixa de Gaza recebeu a notícia misturando reações de esperança e apreensão. Surgiu o temor de que, em contrapartida, os guerrilheiros possam viajar livremente dentro e fora de Gaza, provocando mais ataques e conflitos armados, o que seria um retrocesso para todos os países envolvidos.

Existe também uma expectativa a respeito da formação de um novo governo em Gaza, com estrutura social e política, e segurança pública que garanta no mínimo os direitos básicos de qualquer ser humano. Pelo que tenho acompanhado, os habitantes daquela região estão cansados de promessas e dizem que 90% de seus problemas estão ligados a divergências políticas e à intolerância, porém acreditam que a partir de agora poderão usufruir de alguns benefícios civis.

O momento agora é de confiar na preservação de um conviver pacífico entre aquelas populações de culturas tão diversas e torcer para que essa abertura de fronteiras seja em caráter permanente, sem restrições, inclusive para o livre comércio, a importação de mercadorias, alimentos e bens de consumo, que por enquanto não está liberada.

Artigo publicado no Jornal Empresas & Negócios, em 1/6/2011.

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