Rosangela Demetrio


“Made in America”, uma tendência que vem forte

O que é mais barato: produzir na China ou na América? Com a previsão de aumento dos salários na China, produzir em solo americano pode compensar

Pelo jeito os americanos estão prontos para pôr a mão na massa e partir para uma recuperação. Vendo sua economia enfrentar o aumento nas taxas de desemprego e a competição acirrada com os produtos feitos na China, os Estados Unidos parecem repensar sua forma de produção. Talvez surja daí uma segunda revolução industrial, uma espécie de resgate.

Esse movimento já começou a se manifestar nos EUA, como uma forma de reerguer a estrutura sócio-econômica do país. A Caterpillar, fábrica multinacional de máquinas pesadas, por exemplo, já retornou ao Texas a fabricação de suas escavadeiras.  O quê embasou essa tendência foi uma pesquisa feita recentemente pelo Boston Consulting Group que prevê o aumento dos salários na China, juntamente com uma série de outros fatores, que inclui também alguns problemas logísticos. Essa mesma pesquisa prevê que, por volta de 2015, ocorrerá a equiparação do custo-benefício entre um produto fabricado na China, com o mesmo produto fabricado nos EUA.

Quem faz negócios com a China sabe que não é fácil conseguir um parceiro comercial naquele país. As negociações são feitas em sua maioria por e-mail, pois conversas telefônicas são quase incompreensíveis. E, além disso, o povo chinês tem como característica cultural, desconfiar de tudo e de todos. Até se conquistar a confiança de um chinês, décadas já se passaram…

Algumas desvantagens em se negociar com a China são: poluição ambiental, altas taxas alfandegárias, qualidade inferior de manufatura, péssimas condições de trabalho, falta de adesão aos itens internacionais e regionais de segurança e clientes insatisfeitos. Isso tudo gera insegurança ao negociador.

Não são somente as grandes multinacionais que estão voltando-se a uma produção doméstica. As pequenas também já perceberam que, com custos crescentes lá fora, as dores de cabeça com não valem mais a pena. Como resultado desta mudança na economia americana, acredito que muito em breve, vamos voltar a ver etiquetas com aquele antigo “Made in USA”, tão raro nos dias de hoje.

Segundo a mesma pesquisa americana, existe um grupo de consumidores que representa aproximadamente 14% do mercado de consumo dos EUA, que tem um hábito: olhar para o rótulo do produto antes de comprar. Esse grupo está crescendo em tamanho e em intensidade. A tendência do “Made in America” pode trazer maior satisfação ao consumidor pelo orgulho de comprar um produto feito em seu país, melhores preços e alta qualidade, enquanto o produtor poderá ter maior margem para negociar com seu distribuidor.

Observando pela perspectiva chinesa, esse movimento está longe de representar um fracasso ou uma perda para a China. Pelo contrário. Isso só mostra que os chineses conquistaram seu espaço e enfim podem continuar sua expansão econômica de forma original e justa.

Artigo publicado no Jornal Empresas & Negócios, em 20/julho/2011.

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