Rosangela Demetrio


Escolha a melhor data para negociar com o Oriente Médio

As exportações brasileiras para os países árabes vêm crescendo mês a mês, chegando a atingir níveis próximos a US$ 1 bilhão, em 30 dias. Para auxiliar organizações e empresários na realização cada vez maior de negócios com o Oriente Médio, considero fundamental o conhecimento de alguns detalhes importantes do calendário islâmico

 A maioria dos povos árabes utiliza dois calendários: o islâmico, para o cotidiano e os propósitos religiosos; o gregoriano, para assuntos civis e comerciais. Embora na vida diária o calendário gregoriano seja mais comum, bilhões de muçulmanos usam o calendário lunar islâmico para determinar os principais dias religiosos islâmicos, a exemplo do início e final do mês de Ramadhán, período em que os fiéis estão proibidos de comer, de beber e de quaisquer outras atividades carnais, do nascer ao por do sol, podendo fazê-lo somente à noite. Não é propriamente um feriado, mas nesse período os negócios podem sofrer interrupções.

O ano gregoriano corresponde a um giro da Terra em torno do Sol, tem 365 ou 366 dias. O calendário islâmico é lunar, organizado com base no giro da Lua em torno da Terra. Um mês é realizado em 29 dias, 12 horas e 40 minutos. Sendo assim, o calendário lunar tem 354 ou 355 dias, divididos em 12 meses, 6 de 29 dias e 6 de 30 dias, ficando então 11 dias mais curto do que o ano gregoriano. Isso gera um deslocamento das estações do ano. Devido a esse deslocamento, o mês do Ramadhán pode cair no inverno, em outros anos pode cair no verão, quando a temperatura chega a atingir 50oC. Com tanto calor, não é propício realizar negócios num período em que não se é recomendado beber nem água durante o dia.

Procure evitar também o período do Hajj, em que os muçulmanos de todo o mundo cumprem o dever de peregrinar à Meca – nessa época, a Arábia Saudita recebe quase dois milhões de peregrinos, e os negócios com estrangeiros normalmente não são realizados; o Eid Al-Adha, quando os muçulmanos se congratulam, tal como os cristãos fazem entre si no Natal; o dia de Ano Novo muçulmano, Achura, comemorado pelos xiítas; a data do nascimento do Profeta Muhammad, entre outras datas.

Outra observação importante é que, nos países islâmicos, o dia dedicado ao descanso, equivalente ao domingo dos países ocidentais, é a sexta-feira. A maioria dos países islâmicos adotou a semana de cinco dias, e, portanto, não se trabalha sexta e sábado, na maioria deles, ou quinta e sexta em alguns, como na Arábia Saudita. Para evitar dissabores, o melhor é obter, junto à Câmara de Comércio Árabe Brasileira (www.ccab.org.br), maiores informações sobre os feriados religiosos do país de interesse. (Este artigo inclui dados publicados no site da Amani Consultoria).

Artigo publicado no Jornal Empresas & Negócios, em 27/abr/2011.

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