Rosangela Demetrio


O difícil limite da ética nos negócios

Será correto aproveitar ideias alheias para enriquecer? Muitas vezes escutamos uma conversa, apreciamos uma vitrine ou assistimos a uma reportagem e nos vêm aquelas ideias fantásticas, os chamados “insights” que, se postos em prática de forma correta, acabam tornando-se negócios lucrativos

Sabemos que o mundo real dos negócios não inspira muitos filmes de sucesso, talvez pela questão ética. Uma das exceções é o filme “The Social Network” – A Rede Social, que chega aos cinemas brasileiros no dia 3 de dezembro, não apenas porque o Facebook (tema do enredo) produziu o mais novo bilionário da Geração Y, mas também porque, de acordo com uma das versões dos acontecimentos que circulam pela internet, Mark Zuckerberg, atual CEO do Facebook, teria fundado o site com apoio do brasileiro Eduardo Saverin, mas o americano também teria “dispensado a parceria” depois que o negócio começou a crescer. O filme promete ser um sucesso de bilheteria, principalmente entre os internautas ávidos por informação.

Mas, até onde vai o limite da ética, quando se aproveita uma ideia já lançada no mercado para adaptá-la ou simplesmente relançá-la? Podemos dispensar parceiros ou sócios? Existem casos e casos. A legislação prevê acordos, contratos, registros de patentes e devemos estar atentos para não sermos lesados, nem lesarmos.

Claro que empresários do mundo real sabem quando algumas ideias são verdadeiramente original. Entretanto, quase todos os produtos novos, serviços ou modelos de negócios são inspirados em algo que veio antes. Temos aí a tendência retrô de móveis, roupas e até estilos de decoração. Muitas vezes a solução está em, ao invés de inventar algo novo ou copiar um produto de sucesso, trabalhar um negócio já existente e adaptá-lo às novas realidades do mercado.

É o caso de se dar novos sabores a pratos da culinária tradicional, para adaptá-los ao gosto e à cultura locais, por exemplo. Temos também o sucesso dos drive-thrus e das entregas rápidas de alimentos ou compras, nítidas adaptações às necessidades dos consumidores.

Trabalhar negócios pré-existentes pode ser essencial para um determinado segmento e determinar sua sobrevivência no mercado, equilibrando orçamentos. Tanto os donos originais do negócio, como aqueles que o assumirão, devem saber o melhor momento para uma adaptação. O mais importante é estudar a realidade do consumidor e por mãos na massa, efetivamente, para que o sucesso venha como resultado. Parcerias são bem-vindas quando o produto é único e já conquistou seu espaço. O principal cuidado é não entregar as ideias aos lobos, que podem aproveitá-las sem a participação dos verdadeiros autores do projeto.

No mundo dos negócios, não é errado aproveitar uma ideia, só que ela tem que dar certo. O ponto principal é saber se foi adquirida com legitimidade. Caso contrário, se assumida de forma ilegal e der errado, certamente isso determinará a falência irreversível do negócio.

Este artigo foi publicado no Jornal Empresas&Negócios, página Economia, em 17/11/2010. Qualquer reprodução deverá citar fonte e autoria.

Anúncios

Deixe um comentário so far
Deixe um comentário



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: