Rosangela Demetrio


Os Cafés do Brasil

Pelo hábito de tomar café todos os dias, talvez alguns não se deem conta do nível de sofisticação que existe na produção desses grãos

Mesmo sendo uma planta originária da África e tendo seu uso e comercialização difundidos pelos árabes, o café parece ter ganhado, desde o início do século XX, uma aura brasileira. É comum pensarmos café como sendo algo genuinamente nosso. Talvez pelo fato de ser uma das commodities mais comercializadas no mundo e na maioria das vezes levando o nome do Brasil como seu país de origem.

Além de sua presença no mundo todo, os produtores brasileiros de café arábico não têm motivos para reclamar da performance de seus grãos em leilões internacionais. Os cafés especiais do Brasil têm conquistado índices altíssimos de valorização, principalmente, nos países da Ásia. Prova disso foi dada no início do ano, quando aconteceu o leilão Cup of Excellence, no qual o valor do café especial ficou em média R$ 1.700,00 a saca, quando sua cotação estava em torno R$ 290,00. 

Os produtores que ganham qualidade assegurada para participar desse leilão, concorrem previamente no Concurso de Qualidade Cafés do Brasil, que já está em sua décima edição. Realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais, também conhecida como BSCA, o concurso foi desenvolvido pelo Projeto Café Gourmet da Organização Internacional do Café (OIC) e da Organização Mundial do Comércio (OMC), e conta hoje com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (APEX-Brasil) e da Alliance for Coffee Excellence (ACE). A metodologia consiste em avaliar e classificar itens como: corpo, sabor, doçura e grau de acidez de cada uma das amostras. Para confirmar o sucesso do certame, os 26 lotes finalistas da edição deste ano, foram comercializados no Cup of Excellence.

Segundo dados do site da BSCA (www.bsca.com.br), o maior lance foi dado pela japonesa Time’s Club, que arrematou o café campeão do concurso por R$ 5.631,00, a saca. Esse lote pertencia a um cafeicultor de Piatã, na Chapada Diamantina (BA). A compradora representava um consórcio formado por empresas do Japão, Coreia e Taiwan. O segundo maior valor pago foi para o café de mais um produtor de Piatã, que ficou em 5º lugar no concurso. Seu café foi arrematado pela empresa Toacoffee Co. Ltd, de Tokyo, Japão, por R$ 2.453,00 a saca.

Como vimos, o café especial brasileiro está valendo ouro e os asiáticos já descobriram isso. Uma pena que parte da nossa produção de café ainda saia daqui em sacas e, muitas vezes, acaba voltando na forma industrializada, seja como sachês para algumas máquinas de café espresso ou como solúvel.

Artigo publicado no Jornal Empresas & Negócios em 9 de junho de 2010. Qualquer reprodução deverá citar fonte e autoria.

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