Rosangela Demetrio


Diplomacia demanda tempo e persistência

Transitar com diplomacia nas relações internacionais não é algo que se consiga de uma hora para outra. As negociações internacionais têm seu próprio tempo, seu compasso

Um diplomata deve ter paciência e sabedoria para sentir qual é o melhor momento de argumentar, interceder ou manifestar-se a favor de seu país. Deverá conhecer profundamente os órgãos de apoio à internacionalização, estudar casos que envolveram estratégias de exploração do mercado internacional, conhecer as ferramentas do marketing internacional, os riscos culturais, os mecanismos de acesso aos mercados e as regras do comércio exterior para superar os entraves burocráticos.

São viagens, encontros, missões diplomáticas, discursos e reuniões, onde muito se debate, porém, pouco se resolve. Até mesmo as grandes conferências que envolvem países importantes, com poder de voto na ONU, muitas vezes não trazem resultados concretos, a não ser o de mais uma reunião na agenda.

Atualmente, o aquecimento global vem ganhando destaque na maioria das reuniões diplomáticas, mesmo não sendo a pauta principal. Assim sendo, os temas ecologia e meio ambiente devem fazer parte dos estudos diplomáticos. Falando nesse quesito, tão importante, vale ressaltar que poucos são os países que assumem um compromisso real de corte das emissões de gases do efeito estufa. Os mais ricos seguem tímidos nas metas, mas prometem promover grandes cortes nas emissões, insinuando a possibilidade de chegarem a uma diminuição de até 80%, prevista para o ano de 2050, condicionando isso à efetiva participação dos países emergentes, como Brasil, Índia e China.

Essa última, por sua vez, é a mais assediada para a realização de acordos de cooperação bilaterais envolvendo os Estados Unidos. Não é para menos. A China, em 2009, ultrapassou os Estados Unidos como o maior emissor de CO2 do mundo. Sem o comprometimento dos maiores poluidores do globo, nenhum acordo será levado a sério pela população.

A secretária de estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, tentou abrir discussões que facilitassem acordos internacionais com a Índia, mas não obteve o sucesso desejado. Os indianos são reticentes aos acordos bilaterais entre os emergentes, pois acreditam que isso possa incentivar uma competição entre eles, desestabilizando o posicionamento conjunto que os países em desenvolvimento muitas vezes têm adotado diante das discussões internacionais.

Muitos são os acordos, propostas e missões estrangeiras. Se haverá um resultado concreto, isso em muito dependerá da boa vontade de cada um ao sentarem à mesa de discussões, e da tão importante diplomacia. Os diplomatas sabem que para um acordo positivo, a flexibilidade e o “jogo de cintura” são itens que podem ser determinantes. Não se pode querer tudo. Muitas vezes deve-se ceder um pouco para se chegar ao objetivo principal.

Artigo publicado pelo Jornal Empresas & Negócios em 16 de junho de 2010. Qualquer reprodução deverá citar a fonte e a autoria da jornalista Rosângela Demetrio.

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