Rosangela Demetrio


Belo Monte: uma solução ou um problema

A usina hidrelétrica de Belo Monte, que deverá ser a terceira maior do mundo, atrás da binacional Itaipu e da chinesa Três Gargantas, tem causado muitas discussões

A construção da usina de Belo Monte na Bacia do Rio Xingu já vem gerando polêmica há mais de duas décadas. Além de ser considerada a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a hidrelétrica vai interferir de forma agressiva no meio ambiente e, por isso, vem sendo tema de acirrados debates, mais fortemente desde fevereiro deste ano, quando o Ministério do Meio Ambiente concedeu a licença ambiental prévia para sua construção.

Organizações ambientalistas e lideranças indígenas da região rejeitam a obra, pois consideram-na impactante demais para o bioma da região, com resultados imprevisíveis. Representantes de algumas tribos acreditam que parte do rio Xingu secará em menos de 20 anos. Outros creem que as barragens causarão um superaquecimento das águas do rio, o que mataria os peixes, básicos para sua sobrevivência.

Desde 1989, quando aconteceu o I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira (PA), os índios deixam claro seu descontentamento com a política de construção das barragens do Rio Xingu. De lá para cá, muitos foram os episódios em torno do tema, como a inesquecível imagem da índia kayapó, Tuíra, encostando o facão no rosto do então diretor da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes. Outra passagem marcante foi quando, no governo do Presidente Sarney, o Brasil, que na época ainda precisava de verba estrangeira para a execução de obras dessa grandeza, recebeu a visita do cantor Sting, que chamou a atenção do mundo para a questão ambiental que envolvia o projeto da usina. Isso deixou Belo Monte de molho. Afinal, estávamos prestes a sediar a Eco 92 e esse assunto, certamente, seria desagradável para se discutir. Listada no governo FHC como uma das muitas obras estratégicas do programa Avança Brasil, a decisão pela construção do complexo hidrelétrico ficou para o governo Lula.

Os índios estão temerosos e vão lutar pela sua própria sobrevivência. Já estão previstas inundações na região e transferência de aproximadamente quatro mil famílias de Altamira. O projeto pode até afastar a ação de madeireiros e gerar muitos empregos, mas, será que os fins justificam os meios? Será que vale a pena causar todo esse dano ambiental para gerar mais energia? Será que uma educação ambiental não traria melhores resultados a longo prazo? Ao invés de produzirmos mais energia, poderíamos economizar a que já temos e incentivar o consumo consciente dos recursos naturais principalmente por parte das indústrias. Fica aqui uma sugestão.

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