Rosangela Demetrio


China sem segredos

Os últimos dez anos representaram para os chineses um período de crescimento sem precedentes. Foram feitas reformas estruturais, obras ligadas à telecomunicação, à rede viária terrestre, abertura de portos, geração de energia, favorecendo a produção industrial e a logística de exportação.

Diversos projetos foram implantados e desenvolvidos na China visando ao crescimento do setor industrial chinês que, aliado à mão-de-obra abundante e barata, bem como aos vastos recursos minerais, propiciaram a atração de investimentos estrangeiros. Isso permitiu um rápido crescimento em todos os setores da economia. Com preços extremamente competitivos, a produção chinesa pode ser responsável inclusive pela queda nos índices inflacionários de alguns países. Esse fato confirma sua importância para a economia mundial.

Na indústria, a China tornou-se uma grande potência do mundo contemporâneo em setores como o de computadores, eletrodomésticos e aço. Na mineração, destaca-se como forte produtor de carvão, assegurando dois terços de suas necessidades energéticas. Entretanto, nem tudo são flores para a economia do país. Seus maiores problemas são a irregular distribuição de mão-de-obra, o aumento da dependência de recursos energéticos externos (principalmente o petróleo) e a instabilidade política. O governo preocupa-se em manter a população em áreas agrícolas, pois os fortes apelos da indústria causam notável êxodo para os grandes pólos, o que gera transtornos no abastecimento interno. Além disso, o povo chinês vem sofrendo com o racionamento de energia, pois todo esse desenvolvimento aconteceu rápido demais.

Há um ano, tive a oportunidade de entrevistar um empresário chinês que me ajudou a entender porque é difícil para as empresas chinesas conquistarem certificado ISO 9000. A explicação é no mínimo curiosa. Uma das exigências para a certificação é instituir-se uma carga horária de 44 horas semanais de trabalho, e isso é muito difícil de conseguir na China. O trabalhador chinês é resistente a essa carga horária. Ele quer trabalhar mais e ganhar pelas horas extras, pois crê que só assim terá um bom futuro e poderá progredir.

Entre trancos e barrancos, impôs-se uma superpotência mundial, que, embora muitos tentem disfarçar a preocupação, passou a fazer parte do planejamento econômico da maioria dos países do globo. É a força de um gigante asiático.

Artigo publicado no jornal Empresas&Negócios, em 30/12/2009, caderno Economia, página 5.

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