Rosangela Demetrio


Toda ajuda no combate ao uso de drogas é bem-vinda

Uma parceria com organizações canadenses pode mostrar-nos uma luz no fim do túnel no combate ao uso indiscriminado de drogas por crianças e jovens brasileiros

O médico canadense Benedikt Fischer, da Simon Fraser University, de Vancouver, pesquisa viciados em drogas há mais de 15 anos. Em notícia divulgada pela Agência Estado em 04/11/09, ele esteve no Brasil em outubro passado, propondo parcerias num encontro com profissionais brasileiros de saúde mental do Ministério da Saúde, e impressionou-se com as condições das crianças pobres no País, viciadas em crack. A visão que os canadenses têm do usuário de drogas é de que eles precisam de ajuda, não de discriminação. Ajuda para que tenham condições seguras para deixar o vício e serem inseridos na sociedade.

No período em que morei em Vancouver, estudava num edifício ao lado da Simon Fraser University, e tive acesso, em sala de aula, a um vídeo, que apresenta como é o sistema de suporte ao usuário de drogas naquela região do Canadá. Ali, o número de viciados é muito grande, porém, essas pessoas são tratadas pelos órgãos governamentais como doentes e não como infratores da lei, haja vista o uso da maconha ser, de certa forma, “tolerado” pelas autoridades, que fazem “vistas grossas”. Entretanto, o uso de drogas é contra a lei vigente.

O vídeo mostra a rotina de um usuário de cocaína, que sistematicamente entra numa clínica de apoio social, onde existem diversas cabines fechadas com biombos e cortinas, preservando a privacidade de cada um. Ali, ele recebeu um kit com a droga, seringa, agulha e curativos descartáveis, além do atendimento feito por profissionais de saúde. O intuito é de que os viciados sintam um suporte, tenham um acompanhamento seguro e saibam que os médicos e enfermeiros estão ali, à disposição, para o momento em que eles optem por deixar as drogas e participar dos programas de desintoxicação. Além disso, o governo se preocupa em evitar a transmissão de hepatite C e Aids, que podem ser adquiridas quando usuários compartilham seringas e agulhas.

A sugestão do médico canadense é de que se criem também no Brasil lugares seguros, centros de atendimento, onde os usuários de drogas tenham apoio médico e social, podendo ser encaminhados para tratamento. Ainda segundo a Agência Estado, Fischer afirmou que soluções radicais devam ser implantadas pelo nosso governo, inclusive com a inserção da maconha no tratamento de viciados em crack. O crack torna seus usuários muito mais agressivos e precisamos nos livrar dele pelo bem de todos.
Artigo escrito por Rosângela Demetrio e publicado no jornal Empresas & Negócios do dia 02/12/2009, página 9.

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