Rosangela Demetrio


Cooperação nuclear com o Irã: será que precisamos disso?

Esse foi um dos motivos que trouxe o presidente do Irã ao Brasil. Nada nos custa ouvir atentamente, analisar e dar uma resposta de acordo com as nossas conveniências

Antes de darmos opiniões intolerantes a respeito de tudo que venha do Oriente Médio, deveríamos compreender um pouco da história. Há mais de 55 anos, o povo iraniano tinha um primeiro ministro democraticamente eleito, Mohamed Mossadegh. Ele era um homem do povo e muito respeitado, mas seu governo foi vítima de um golpe para recondução do xá Mohamed Reza ao poder, em 1953. Tal ação influenciou profundamente a história do Irã, do Oriente Médio e até do mundo. Durante os 25 anos seguintes, o xá governou de uma forma que dilapidou as riquezas do país, vendendo a preços muito baixos o petróleo para o ocidente. Esse fato revoltou a população e fecundou a semente que gerou a revolução Islâmica de 1979, fonte de inspiração de fundamentalistas de todo o mundo islâmico, incluindo os talibãs e outros grupos radicais que se fortaleceram e se revoltaram contra o ocidente.

Lembro-me das notícias que eram veiculadas pela TV, na época. Elas mostravam a energia que envolvia o povo iraniano em torno do Aiatolá Khomeini, seu líder espiritual. O acesso à informação ainda era bastante restrito, não havia internet. Já naquele tempo eu enxergava aquilo como um perigo. Pensava na manipulação e no poder da massa, na força de um povo que movido pelo ódio poderia ficar fora de controle. Hoje, com o acesso à informação, li muito a respeito do Islã e passei a ser mais tolerante, principalmente depois de ter lido o livro “Todos os homens do xá”, escrito pelo jornalista Stephen Kinzer. A história do Irã na visão do autor me mostrou outro ponto de vista. Eu via o Irã no papel de vilão, mas na verdade ele pode ter sido mais uma vítima.

Agora, o que temos de mais atual é a chegada ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que vem para propor uma cooperação nuclear. Manifestações ideológicas à parte, o importante é que o Brasil não precisa priorizar o desenvolvimento de energia nuclear neste momento, pois temos o biodiesel, temos nossas bacias hidrográficas e tantas fontes naturais que podem ser transformadas em energia. Com todo o respeito ao atual presidente do Irã, podemos reconhecer o direito deles de ter sua tecnologia nuclear, desde que para fins pacíficos, porém o Brasil é um país verde e isso por si só, já é uma resposta.

Artigo escrito por Rosângela Demetrio e publicado no jornal Empresas&Negócios, em 25/nov/2009, caderno Economia, página 5.

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Comentário por Guará Matos




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