Rosangela Demetrio


Halloween no Canadá: um sonho de criança

Há exatos dois anos, enquanto passava um período estudando no Canadá, tive a oportunidade de vivenciar alguns momentos surreais, que me divertem até hoje. Aquela semana do Halloween foi como um retorno à infância

 As comemorações do Dia das Bruxas podem proporcionar menos euforia aos mais jovens e às pessoas mais acostumadas a frequentar festas à fantasia. Para mim, que nasci em 1964 e, quando criança, sempre preferi cadernos, livros e lápis ao invés de bonecas para brincar, aquelas manifestações nas ruas de Vancouver, dentro do colégio, nos restaurantes e baladas foram marcantes. Foi algo como um mergulho num mundo surreal.

As fantasias me surpreenderam, pois não eram apenas de bruxas e fantasmas, como eu imaginava. As pessoas se fantasiaram de animais, personagens dos quadrinhos, mendigos esfarrapados, estrela do mar, índio, soldado… Via-se criatividade em todos os lugares. Até mesmo um fusca apareceu fantasiado, desfilando pela cidade. Não é inusitado?

No colégio, as atividades foram marcadas por brincadeiras de criança, pintura nos rostos, concurso de fantasia e principalmente pelo Carving, que é a técnica utilizada para esculpir as famosas abóboras com carinhas apavorantes. Eu mesma “carvei” duas delas e foi muito divertido.

Durante a noite, as crianças saíam às ruas pedindo doces à vizinhança para não fazer travessuras. Mas não eram apenas as crianças que saíam. A impressão era de todos estavam nas ruas comemorando. As fachadas enfeitadas com bruxinhas e abóboras criavam uma atmosfera intrigante, algumas emitiam sons simulando fantasmas. Era nítida a importância que eles davam para a preservação de sua cultura. Vale lembrar que o dia 31 de outubro também é o Dia do Saci, personagem do folclore brasileiro, pouco lembrado por nós.

Aqui no Brasil, o Dia das Bruxas vem, de uns quatro ou cinco anos para cá, ganhando discretamente um espaço em nosso calendário de festas sazonais, sendo mais comemorado em ambientes fechados, como festas em clubes, condomínios e escolas, sobretudo nas que ensinam inglês. Acho relevante inserir aspectos culturais quando se ensina um idioma, pois a contextualização facilita o aprendizado.

Alguns setores do varejo já apostam no Halloween como uma data favorável para venda de fantasias, enfeites e acessórios para movimentar o comércio no segundo semestre, inclusive os segmentos de buffet e entretenimento, tornam-se mais aquecidos com as comemorações.

Artigo escrito por Rosângela Demetrio, publicado no jornal Empresas & Negócios, em 28/10/09, caderno Economia, página 5.

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