Rosangela Demetrio


A influência da água de lastro no ecossistema

O desequilíbrio ecológico causado pelas operações de carga e descarga da água de lastro dos navios vem preocupando organizações internacionais

A grande maioria das embarcações de grande porte, como petroleiros, graneleiros, navios mercantes e de cruzeiros, faz uso da água de lastro como forma de distribuir o peso ao longo do navio, mantendo a estabilidade da embarcação e suas hélices sob a água. Neste processo de carregamento realizado nos portos e terminais, a água leva com ela, para dentro do navio, micro-organismos pertencentes ao ecossistema aquático local. Esses organismos podem ser moluscos, mexilhões, crustáceos e até peixes, os quais, quando descarregados com a água no porto de destino, estarão fora de seu habitat natural, podendo ocasionar o desequilíbrio daquele ecossistema. A interferência de organismos “estrangeiros” num ecossistema pode desencadear o desaparecimento de algumas espécies ou a superpopulação de outras, se, por exemplo, uma delas perder seu predador natural. Mas, tudo isso não é novidade. Nas décadas de 1970 e 1980, houve grande disseminação do vibrião colérico pelos ambientes costeiros de todo o mundo, causando um grande problema na época, com consequências até os dias de hoje.

Os efeitos dessa invasão biológica podem ser devastadores. Preocupada com essa causa, a IMO – International Maritime Organization, agência especializada das Nações Unidas, propôs a implementação do Global Ballast Water Management Programme (Programa de Gestão da Água de Lastro Global). Um dos objetivos do programa é dar apoio técnico aos países exportadores para uma melhor compreensão das dimensões do problema, que vem se agravando nas últimas décadas com a expansão do comércio e do volume de tráfego marítimo.

Para reforçar a conscientização global para com o problema, uma investida da IMO está prevista para janeiro de 2010, na Suécia, quando será realizado o primeiro fórum global de Pesquisa e Desenvolvimento de Sistemas Emergentes de Gestão da Água de Lastro. No encontro, serão propostos debates sobre a melhor forma de gestão e apresentadas ferramentas para o monitoramento e o controle da água de lastro. No mercado brasileiro, estão disponíveis equipamentos que, se instalados nos navios, executam sistemas de filtragem e desinfecção das águas, diminuindo consideravelmente o impacto ecológico. No entanto, precisamos de uma regulamentação globalizada, com todos os armadores seguindo as mesmas regras de controle ambiental.

Artigo escrito por Rosângela Demetrio, publicado no jornal Empresas & Negócios em 14 de outubro de 2009, caderno Economia, página 5.

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1 Comentário so far
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Muito interessante este artigo. Nunca parei pra pensar sobre isso.

Comentário por Carolina




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