Rosangela Demetrio


O Brasil tem a chance de dar um bom exemplo

Bons ventos indicam o ano de 2016 como um ponto de virada no roteiro da história do Brasil. Teremos uma chance ímpar de mudar a imagem do País na história da civilização humana, podendo, ainda, colaborar com os preceitos que regem os trabalhos da Unesco: o reconhecimento de uma consciência universal.

Tantas formas de intolerância e ignorância têm obscurecido a herança e os sonhos comuns da humanidade. Preconceitos e estereótipos tornam cada vez mais difícil a construção de um futuro com base no entendimento mútuo entre as culturas, hoje, globalizadas. A Cultura da Paz é um trabalho árduo, principalmente em face ao terrorismo, que constitui um ataque contra a humanidade.

Hoje, decidimos fazer um paralelo entre um trabalho de pesquisa que levou mais de quatro décadas para ser concluído e o poder de persuasão de um bom exemplo. A Unesco, divisão da ONU ligada a cultura, educação e comunicação, está lançando uma coleção enciclopédica denominada “História das Civilizações: passado e presente”. Trata-se de uma obra de referência com 51 volumes sobre a história da humanidade, das civilizações da Ásia Central, África, América Latina, Caribe e cultura islâmica, resultado de 40 anos de estudos e cooperação internacional, envolvendo cerca de 1600 especialistas de todas as partes do mundo. Uma das missões desse projeto gigantesco é estimular uma consciência universal de unidade da humanidade por suas origens e ideias, apesar de toda a sua diversidade.

Da mesma forma, temos como objetivo principal das Olimpíadas a interação dos povos. É aí que entra o nosso ponto de virada. Sempre ouvimos que um exemplo vale mais do que mil palavras. Então… Já que nem todos teremos acesso aos livros da Unesco, podemos dar um exemplo ao mundo. A cidade do Rio de Janeiro foi eleita para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Conquistamos, com isso, o direito de contribuir de forma brilhante e exemplar para a divulgação da Cultura da Paz. Esta pode ser a nossa oportunidade de mostrar ao mundo as vantagens e virtudes de sermos um povo multicultural e ao mesmo tempo unido, que, embora conviva com sérios problemas sociais, políticos e econômicos, não vê outra forma de vida, a não ser a regida pela paz.

Será que é demasiado idealista que pretendamos dar um exemplo de tolerância aos países de primeiro mundo e também àqueles que vivem em guerras religiosas? Como brasileira e patriota, creio que isso é possível, desde que nos unamos em torno do mesmo ideal: o amor à vida.

Artigo escrito por Rosângela Demetrio e publicado no Jornal Empresas e Negócios, em 7 de outubro de 2009, caderno Economia, página 5.

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1 Comentário so far
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Rosangela,
Seu raciocínio é perfeito.
A Olimpíada é o maior evento da humanidade e mesmo no auge na Guerra Fria, deu lições de tolerância, respeito, admiração e fair play entre atletas de etnias, raças, religiões e sistemas políticos distintos.
A Olimpíada não ocorreu com o Mundo em Guerra e com o Apartheid.
Os Jogos de 2016 serão celebrados em um país do antigo bloco dos países não alinhados. Momento único para celebrar a paz e o a humanidade em paz consigo e com a natureza.
Que a paz comece por nós brasileiros que ostentamos índices de violência no Rio superiores aos dias de ocupação do Iraque.
Sejamos sonhadores com John Lennon com seu hino da paz “Imagine”, mas, mais que sonhadores, lutemos por estes ideais.
Bons Ventos,
Lars Grael

Comentário por Lars Grael




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