Rosangela Demetrio


Índia e China, gigantes da Ásia
12/09/2009, 05:20
Filed under: Decoração, Matérias | Tags: , , , , ,

Os dois países ocupam posição de destaque no mercado internacional

A economia indiana vem surpreendendo os indicadores internacionais. Nas últimas duas décadas, mais especificamente a partir de 1991, quando foram implementadas reformas econômicas desenvolvimentistas, o mercado indiano vem apresentando um aquecimento constante e gradual, destacando-se, além da agricultura, a industrialização de alguns segmentos e o forte apelo do setor de serviços. Com a população total superior a 1 bilhão de habitantes, a Índia tem um mercado interno promissor, sendo a sua classe média a maior favorecida em termos de crescimento de poder aquisitivo.

A meta do governo é manter um crescimento econômico constante entre 6% e 8% ao ano. Uma característica particular da transição econômica tem sido a flexibilidade durante as crises estrangeiras. Em pouco mais de 15 anos, o país reverteu sua situação de devedor e passou a ser credor do FMI. Outros desafios: conter a taxa de inflação ao nível de um dígito, incentivar um maior desenvolvimento da produção agrícola e expandir a indústria em pelo menos 10% ao ano.

Houve algumas mudanças fundamentais na economia, nas políticas governamentais, na atitude do comércio e da indústria e no estilo de vida dos indianos. As empresas nacionais não temem mais a concorrência com as multinacionais; o fatalismo e o conformismo deram lugar ao otimismo e à ambição; a prosperidade e o sucesso passaram a ser valorizados como metas; os recém-formados não buscam mais a estabilidade do emprego público, mas enfrentam desafios no mercado de trabalho. Assim, e aos poucos, a Índia vem crescendo e aparecendo.

Entre os pontos fortes da economia indiana, destaca-se a agricultura, responsável por 20% na composição do PIB (2005-2006), com destaque para produção de chá, grãos, algodão, leite e cana-de-açúcar. O setor industrial, que participa com um índice de 19% do PIB (2005-2006), tem respondido bem aos fortes investimentos na área têxtil e conta inclusive com um ministério especialmente criado para tratar desse segmento, o Ministério da Indústria Têxtil e Confecção. Outro forte aliado da indústria indiana é o aço, que se beneficia por ter uma produção com os custos mais baixos do mundo. A indústria farmacêutica, por sua vez, promete atingir um recorde de faturamento em 2008 (hoje, a Índia é o maior produtor de medicamentos genéricos do mundo). Serviços como hotéis, transportes e comunicação (call-center) apresentaram crescimento de 11,3%, representando um porcentual de 61% na composição do PIB (2005-2006).

Quanto aos produtos mais exportados, destacam-se gemas e jóias, autopeças, tecidos, softwares, produtos químicos básicos, farmacêuticos e artesanato. O principal mercado está nos Estados Unidos e União Européia, além de China, Japão e Coréia. Em contrapartida, o país ainda precisa importar itens como gasolina e derivados do petróleo, eletrônicos, carvão, ferro, aço e adubos.

Relações intensificadas com o Brasil

 
Foto by Priyan Meewella

Foto by Priyan Meewella

O India Trade Promotion Organisation (ITPO) foi criado em 1992, como parte do programa de reformas para o desenvolvimento do país. Sua principal função é a promoção de negócios, buscando novas fronteiras e parceiros comerciais, com o intuito de aumentar as exportações dos produtos indianos. Seguindo essa linha de pensamento e com a segurança oferecida pelas condições promissoras apresentadas pela economia de seu país nos últimos tempos, o cônsul Yashwant Kumar Sharma, diretor residente do ITPO em São Paulo, destaca algumas vantagens em se fazer negócios com a Índia. Segundo ele, seu país apresenta um forte sistema judiciário; uma estrutura federal democrática; mídia independente; recursos humanos qualificados; abundância de recursos naturais; reforçada base industrial; governo estável e comprometido com um processo contínuo de reformas; retorno atraente e segurança aos investimentos estrangeiros; total repatriação de lucros e dividendos.

Ele destaca que, nos últimos anos, Brasil e Índia intensificaram suas relações bilaterais, com a ampliação do número de visitas presidenciais e diplomáticas, visando uma aproximação político-econômica. Igualmente empenhada nessa aproximação está a Câmara de Comércio Brasil Índia, que trabalha com afinco no sentido de promover, incentivar e auxiliar o comércio e os negócios entre os dois países. Esse bom relacionamento também abre portas para grandes empresas brasileiras, que têm encontrado na Índia boas condições para a produção e um grande mercado consumidor. A mineradora brasileira Gerdau, por exemplo, investiu US$ 71 milhões naquele país e os planos são de construir lá uma planta. Outras como Weg Motors, Stefanini, Metalfrio e Marcopolo também vislumbram oportunidades de projeção no mercado indiano.

China

Os últimos dez anos representaram para os chineses um crescimento sem precedentes. Reformas estruturais foram feitas, obras ligadas à telecomunicação, à rede viária terrestre, abertura de portos, geração de energia, favorecendo a produção industrial e a logística de exportação.

Diversos projetos foram implementados e desenvolvidos visando o crescimento do setor industrial chinês que, aliado à mão-de-obra abundante e barata, bem como aos vastos recursos minerais, propiciaram a atração de investimentos estrangeiros. Isso permitiu um rápido crescimento em todos os setores da economia.

A produção chinesa pode ser responsável inclusive pela queda no crescimento inflacionário de alguns países. Esse fato leva à constatação sobre a importância que a produção chinesa tem com relação à economia mundial, no combate à inflação.

Foto by Maria Elizabeth Ferreira

Foto by Maria Elizabeth Ferreira

Na indústria, a China tornou-se a maior potência do mundo contemporâneo em setores como o de computadores, eletrodomésticos e aço. Na mineração, é o maior produtor de carvão, assegurando dois terços de suas necessidades energéticas. Entretanto, nem tudo são flores para a economia chinesa. Seus maiores problemas são a irregular distribuição de mão-de-obra, o aumento da dependência de recursos energéticos externos (principalmente o petróleo) e a instabilidade política. O governo preocupa-se em manter a população em áreas agrícolas, pois os fortes apelos da indústria causaram notável êxodo para os grandes pólos, o que gera transtornos no abastecimento interno. Além disso, o povo chinês vem sofrendo com o racionamento de energia, pois todo esse desenvolvimento aconteceu rápido demais.

Cultura de trabalho

O empresário sino-brasileiro John Lu, diretor comercial do Grupo Translu’s, desmistifica o processo industrial chinês: “A China é um país que não tem por tradição, criar. Entretanto, os industriais fazem o possível para concorrer em diversos mercados e ganhar, reproduzindo com agilidade artigos que já existem, porém, a um preço menor.” Esse seria o grande diferencial que colabora em muito para o rápido desenvolvimento. Outra característica cultural, citada pelo empresário, mostra a dificuldade em se adquirir certificação ISO 9000 naquele país: “Uma das exigências é manter expediente de 44 horas semanais de trabalho. O trabalhador chinês, no entanto, não aceita trabalhar apenas por esse tempo limitado, ele quer trabalhar mais e ganhar pelas horas extras. Ele considera que só assim terá um bom futuro, atingindo o seu limite.”.

John Lu explica o sucesso da economia chinesa em relação aos demais países: “Hoje, o mundo é globalizado e existe um padrão de preço internacional para commodities. Suponhamos que para fazer uma lata de alumínio, a matéria-prima bruta custe US$ 1.00. Para ser produzida nos Estados Unidos custará US$ 2.00, pois eles têm o custo de produção mais elevado. Depois de pronta, eles precisarão vender a lata por US$ 4,00. Se a mesma lata for produzida em território chinês, o custo de produção será de 1,10 dólares. Somando isso aos impostos de importação para os Estados Unidos, a lata chegará lá por um custo de US$ 1.20, dando assim condições aos americanos de vendê-la por US$ 2.50. Ou seja, o preço final do produto produzido e importado da China é inferior ao valor da produção no país americano. Esse processo caracteriza a importação da mão-de-obra chinesa.”.

Contagem regressiva

A China está contando os dias para que duas situações muito importantes se realizem. Os Jogos Olímpicos de 2008, oficialmente conhecidos como os Jogos da XXIX Olimpíada, serão realizadas em Pequim de 8 a 24 de agosto deste ano, com a cerimônia de abertura marcada para acontecer às 8h08 da noite em 8 de agosto de 2008 (o oito significa prosperidade na cultura chinesa). Como isso vem repercutindo na economia da China? Apesar dos pesares – manifestações populares e discussões políticas –, o progresso é evidente.

A indústria da construção civil está funcionando a todo o vapor devido às obras necessárias para abrigar os atletas. O país investiu bastante em tecnologia, levando para lá pessoas capacitadas, designers e arquitetos famosos, a fim de desenvolver projetos arrojados e construir uma vila olímpica de última geração. Todos esses investimentos públicos e privados mobilizam a população em torno do evento, aumentando a expectativa para o início dos jogos.

Uma outra questão importante para o progresso e desenvolvimento econômico chinês é a usina das Três Gargantas. Construída no rio Yangtse, o maior da China, a usina das Três Gargantas teve suas obras iniciadas em 1993 e quando estiver totalmente pronta, em 2009, suas 26 turbinas deverão gerar 18.200 megawatts, ultrapassando a capacidade de Itaipu, a maior usina hidrelétrica já construída. Com a conclusão do projeto, a central vai produzir anualmente 84,7 bilhões de quilowatts e proporcionar energia elétrica para sete províncias e municípios, aliviando a situação tensa no abastecimento na região.

Segundo o governo de Pequim, além da geração de energia, Três Gargantas terá também a função da prevenir enchentes e facilitar o transporte fluvial, pois também serão construídos 40 portos ao longo do rio.

Atendendo à necessidade de uma barragem com altura de 175 metros, mais de 20 distritos, por onde passa o rio Yangtse, ficarão submersos, uma área de 28 mil hectares desaparecerá e, conseqüentemente, mais de um milhão de pessoas serão transferidas para outras regiões. O custo total do projeto é estimado em 24,5 bilhões de dólares. Trata-se de uma obra sem precedentes na história.

Assim, um país que experimentou a mais notável transformação do planeta, se torna uma superpotência mundial e passa a fazer parte do planejamento econômico da maioria dos países do globo. É a força de um gigante asiático.

Proibida reprodução desta matéria sem autorização da autora, Rosângela Demetrio

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